quarta-feira, 16 de maio de 2012

Futebol de Rua

Bora fuleirar?

Cresci na Cândido Pessoa, coração do Bairro Novo, em Olinda.

No tempo, as ruas paralelas da Getúlio Vargas eram todas de terra, daquelas que deixavam da cabeça ao pescoço cinza, do peito à coxa laranja e do joelho pra baixo preto, toda vez que rolava uma peladinha.

E sempre rolava, até arrancar o samboco do dedão ou da planta do pé de um, até as mães se unirem e gritarem pra entrar pra tomar banho, ou até rolar uma confusão, que sempre acabava em doces xingamentos às mães alheias, mas nada que precisasse da intervenção do STJD.
Camisa contra sem camisa (quase ninguém tinha barriga), sem juiz. Juiz pra quê? Quem marcava as faltas era o próprio time ou a galera que ficava esperando a próxima. E sem direito a replay ou consulta ao Arnaldo e, já que a “regra é clara”, tinha muita regra não...
Barrinha de coco, de pedra, de paus, de havaianas, do que fosse... Marcavam-se as traves com passos, sempre aumentando um pouquinho a barra do time adversário, pra tentar garantir o placar, lógico. A bola só saía quando subia a calçada, às vezes subia tanto que caía na casa do povo. Tinha casa com cachorro brabo (um até lascou minha coxa uma vez, guardou um pedaço de mim dentro dele até ser reciclado por Genézio), tinha casa com dono brabo, que não devolvia as bolas (saudade do “Seu” Furtado), tinha casa com tanta planta que a gente até perdia as bolas, as do jogo, claro.

Essas, as bolas, um capítulo à parte. Tinha essa coisa de bola de couro não, a disputada dente-de-leite, uma puro sangue emborrachada que só ficava boa quando muito usada, já sem marca nenhuma do fabricante era a tecnologia de ponta. Se algum jumento desse um bombão no pito, a bicha saia zunindo e ai de quem botasse a coxa na frente! A marca demorava uns três dias pra começar a sumir.

Geralmente dois contra dois e a galera de fora rezava logo pra sair dois gols e o próximo time entrar... Às vezes demorava e a turma chiava: “dois minutos ou vai pros pênaltis!” E era isso, os pênaltis eram batidos de uma barra para acertar a outra, sem ninguém pra defender, não tinha essa de cavadinha de Loco nem nada, o cara tinha que acertar e pronto, ou ia se lascar de raiva de tanto que iam arriar com a cara dele, levava logo o nome de pé ronha...

E, se um time ganhava duas, três seguidas, dando banho, saia e olé, pense na fuleiragem que era! Todo mundo gritando quando saía um drible diferente. Ninguém dominava de canela! A gente tinha que se adaptar às “elevações do terreno” e dominar a bola do jeito que ela viesse, mesmo se batesse numa pedra antes de chegar. Pra fazer gol, a bola tinha que passar pelo meio das “traves” e baixa, ou rasteira ou quase tocando o chão, senão não valia. Ali se jogava bonito...

Hoje, pra jogar com amigos tem que ter campo society, chuteira fluorescente do Neymar, coletes e juiz federado. Tem até jogo para videogame de futebol de rua, pra suprir tudo isso. A resenha hoje dura só o tempo de pôr o meião e a caneleira e de vez em quando depois do jogo, se rolar um happy hour. Resenhar durante a partida é “desrespeito ao time adversário” e se fizer três embaixadinhas, apanha por ser considerado um mau caráter!
É, depois querem saber porque o futebol brasileiro pena...

domingo, 8 de abril de 2012

TIRANDO O BANZO



Pronto, acabou o banzo!!!

Futebol é arretado, mas cansa. A patroa reclama e a gente acaba cedendo, mesmo que só um pouquinho. Afinal, ninguém quer receber cartão amarelo dela e acabar suspenso para o próximo jogo. Vai que o substituto joga melhor e aí em vez de tu ser artilheiro consagrado, passa a ser esquenta-banco???

Melhor obedecer às orientações táticas e jogar coletivamente, ".... fazer tudo o que o que o professor disser e tentar ajudar os companheiros..." - sendo que o "professor" no caso é a patroa e "companheiros" pode ser entendido como os fatores que irão definir um aditivo contratual bem rentoso!!!

E blogueiro de futebol não tem treino regenerativo, nem nada... Junta os cacos e bota aí a mente pra funcionar logo na segunda-feira! O blog vem baianamente ao ar por problemas operacionais do próprio operador (e, digamos, por ordens táticas: "... jogar futebol, ver futebol na televisão, no estádio e agora blog de futebol, Lamartine?").

É, vida de boleiro blogueiro casado é difícil.


“TEU TIME GANHOU OU PERDEU?”

Essa é a pergunta das segundas-feiras para os amantes da redonda.

Não há uma só esquina, um só boteco, uma só firma ou repartição pública onde o assunto não seja a rodada do fim-de-semana. Rodada que deixa a mulherada tonta.

“Vixe, vocês já vão falar de futebol???”

Não a mulherada que acompanha o marido no estádio ou no barzinho onde o jogo está sendo transmitido - pra ver futebol mesmo, perna de jogador ou pra exercer o direito de fiscalização que as patroas detém pela sua própria natureza - mas a mulherada que bota a culpa na gente só pelo simples fato de não passar novela aos domingos.

E guerra é guerra, não é?

A batalha do controle remoto tem sessões épicas com picos de draminhas pra derreter nossos corações. Todo marido que se preza, se quiser ter um pouco de paz assistindo futebol, deve deixar o canto mais aconchegante da casa para a patroa. Aquela TV gigante de NEW LED, com função smart, de última geração pela qual você passou tanto tempo babando e conseguiu convencê-la a comprar está fadada a obsoletar-se com dramaturgia, e só.

Esqueça. O cantinho “home stadium” da casa é dela e ninguém tasca!

Futebol, amigo, só se for na TV de 10” da cozinha ou no máximo a de velho tubo de imagem que deve estar esquecida no quarto de hóspedes...

É, é hora de nova poupança para modernizar todos os cômodos, penso eu.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Post-jogum

Ô, resenha...

Alô?
Oi, véio.
Nada, tô aqui de bobeira.
Hãn? Quê?
Ah, é... recriei o blog.
Falar nisso, tenho que escrever lá.
Posts semanais, por enquanto.
Nããããão!!!!! Falar de quê?
Meu blog é sobre futebol.
Não. F-U-T-E-B-O-L.
Sabe? Onze contra onze, bola, torcida apaixonada, discussão em cada esquina.
Aquele negócio que a gente jogava antes da bola subir pro bucho e se instalar cruelmente por lá...
Crise? Que crise? Não, o presidente falou que era só uma marolinha...
Política? Religião? Receitas culinárias???
Não. Futebol e pronto.
Sei que não dá dinheiro, mas que fazer?
Não acredito. Você não gosta mais de futebol? Que brasileiro não gosta de futebol????
Ah, tem razão. Mas por quê tu fosse escolher logo o Santa?
Sei, herança de família, né?
Mas veja o outro lado, o Santa tá garantido na série D e ainda está colaborando com o Brasil Alfabetizado.
Toda criança já sabe as quatro primeiras letras do alfabeto por causa do Santa.
Sou um pai dedicado na educação do meu filho, sobretudo se for pra zoar com meu sogro tricolor.
O segundo passo do legado que todo pai rubro-negro zeloso passa atualmente é cantar a musiquinha: "... da A pra B, da B pra C, da C pra D"!!!
Eita, mas voltou pra C!
Mas voltando a nossa conversa...
Hãn? Quê?
Chupar caju?
Peraí, véio, domingo tem jogo, pode ser que a história mude!!!
Gustavo? Gustavo? Gustavo?
Tô entendendo nada, para de gritar!
(Tu, tu, tu, tu, tu...)
Desligou.
Rapaz até que ele tem razão, um suquinho agora até que ia bem, mas não de caju (eca)!
Aliás, essa discussão deu uma fome... acho que vou tomar uma sopa. E daquelas de letrinhas.
Sopa? Letrinhas? Vou ligar pra arriar com ele de novo!!!!
Futebol é bom por isso, ativa a memória e aquece as relações interpessoais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Zzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!!!!!!!!!!!!!!!


Uááááááááhhhhhhh!!!!!!
Ultimamente a gente tem que tomar energético pra conseguir ficar acordado durante os jogos da seleção.
Minha esposa diz que um jogo de futebol não deve ter mais que três gols pra não perder a graça. De uma certa forma ela tem razão. O jogo tem que ser disputado pra ter emoção e, nessa ótica, todo zero a zero é perfeito!!!!! A idéia precípua é de que os times se esforçaram tanto que as táticas se anularam e não restou qualquer possibilidade de que houvesse a marcação de um gol.
Mas a nossa seleção ainda mudará. Como tenho o hábito (adorado pela minha esposa) de gravar todos os jogos, fiquei analisando: Na preparação para 1994, o time tinha Palhinha, Valdeir, Evair, Elivélton (Gaguinho, lembra dele?), Luiz Carlos Winck e nenhum deles foi à Copa. E assim tem sido em todos os Mundiais. Estamos ainda a dois anos da Copa e certamente valores surgirão e outros ficarão pelo caminho.
O problema é que tá todo mundo agoniado com a falta de padrão e com a supremacia dos espanhóis, alemães, holandeses, italianos, franceses, ingleses, uruguaios, jamaicanos, gabonenses, zambianos, etc, etc, etc...

Futebol Clube da Silva



É isso, pessoal. Voltei a ser blogueiro. Depois de alguns ensaios e promessas, finalmente atendi aos meus desejos mais escondidos e agora me aguentem!!!
Mas falar de futebol pra brasileiro é muito fácil... Qualquer um fala com a propriedade de quem é veterano em Copas, especialista em táticas. Somos pelo menos 200 milhões de pós-doutorandos em matéria de bola que fazemos ferver rodas nas esquinas sobre quem poderia ter sido convocado ou contratado no lugar desse ou aquele.
E, pra não dizer que não falei das dores, tirar sarro do amigo vencido no último clássico traz um êxtase perene com intensidade de gozo juvenil até o próximo jogo. E a sensação inversa parece interminável... ah, no próximo a gente desconta!!!
O nome do blog mudou algumas dezenas de vezes, uma busca à essência, à raiz, uma informação da partícula genética que está inserida em todo brasileiro, desde a sua concepção. Cheguei ao Caos. Caos de Chico, antenado pela essência da risoflora. Parafraseei um de meus ídolos, o exaltando em homenagem! Salve Ciência, Slave Boy do Mangue!
Mas, voltando, reconhecemos o mundo como um objeto esférico, sim, Colombo, mas ele possui gomos (ou costumava possuir, ao menos) e movimenta paixões!